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Quem nada para a vida, nada para Deus. E quem nada para Deus tem sempre uma segunda chance!

             Como posso descrever a alegria de poder escrever? É tão bom que não sei nem como detalhar tal sentimento, porque é indescritível. A sensação de se esvaziar é tremenda e nada que te faz mal permanece. Nada mesmo. É como um copo que está cheio de mais e você emborca para esvaziá-lo um pouquinho. É como uma tempestade que vira garoa fina. É uma sensação extremamente edificante e acalentadora.
Quem gosta de escrever sabe exatamente do que estou falando. Quem gosta, conhece essas sensações tanto quanto eu conheço. E acredito que a mesma sensação de escrever não possa ser sentida de outra forma. Acredito que seja especial e só quem escreve que conhece. Escrever é ato especial para pessoas especiais.
Ainda bem que descobri esse ato, porque ele é que me mantém quente nos dias de frio, ele que me mantém seca nos dias de chuva. Nada tenho a reclamar, porque graças a Deus eu encontrei algo que me completa de verdade. Algo verdadeiro pela qual eu possa me agarrar firmemente e nunca mais me soltar. E o mais importante: algo que não me larga jamais, porque só depende de mim para estar perto. Depende de mim para manter-se firme e forte na sobrevivência. A escrita é como um filho. Se você abandona e larga, ele vai embora e vira desatino. Mas se você agarra e cuida, se você alimenta todos os dias, você planta dias de sol para uma vida toda.

Existem sim coisas boas nessa vida, e eu ainda não posso negar. E não importa quão escuro esteja meus pensamentos, ainda existem coisas que me faz enxergar a luz e isso é como um bote-salva vidas que te jogam em alto mar enquanto você está se afogando. Você enxerga a possibilidade da morte, mas o bote te faz enxergar a possibilidade de vida, que nesse caso é muito mais sedutor. E enquanto eu enxergar o bote nada me fará desistir dessa vida. Nada e ninguém, porque eu sei que assim como todo mundo também sou capaz de nadar e nadar e nadar até chegar na beira da praia. Ninguém pode dizer que esta causa está perdida. Quem nada para vida, também nada para Deus. E quem nada para Deus sempre terá uma segunda chance.


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